quarta-feira, 22 de março de 2017

Contos



No Trem Fantasma


Nunca tinha andado no trem fantasma e morria de vontade. Mas tinha medo. Bobona. Era jovem ainda, 25 anos.
Todos que eu conhecia e que tinham ido em trens fantasmas falavam muito sobre isso, dos tipos de monstros, bruxas, caveiras, etc, que tinha lá dentro. E eu ficava muito interessada pois sempre gostei de histórias assombradas, filmes de terror e por aí vai.
Numas determinadas férias de verão fui ao Beto Carreiro World, parque famoso de Santa Catarina e desejo de 99% das crianças e jovens destas paragens.
Munida do passaporte do parque, entrei, fui passeando por lá, conhecendo brinquedos e lugares muito legais, aproveitando tudo e muito encantada. Até que (sempre tem um até que), me deparei com ele, o trem fantasma. Tinha realmente uma aparência tétrica, assombrosa, feia de verdade. E uma fila enorme de pessoas corajosas que lá esperavam para levar sustos, gritar, se apavorar, sei lá, vá entender o ser humano...
E eu criei coragem. É hoje, hoje que eu conheço esse “trem”, no sentido literal. Entrei na fila, e esperei, esperei, esperei, e ouvia gritos e quase me arrependia. Mas pensava no tempo perdido na fila e resolvia ficar. E puxava assunto com os que estavam na fila e perguntava se era assustador mesmo e todos diziam que sim, que viam vultos, monstros, que eles chegavam a tocar neles, e eu forçava a risada e quase que “pedia pra sair”.
Até que (de novo, sempre vem acompanhado de uma novidade, não necessariamente boa), chegou a minha vez. Eu já queria dar o meu lugar pro jovenzinho intrépido que estava no fim da fila ou para a moça corajosa atrás de mim, mas não, o rapaz do parque já foi me levando pro carrinho e me colocando no lugar, que só aí percebi, entrava sozinho naquele lugar sombrio, acompanhado sim por outros carrinhos, mas que iam muito atrás para o meu gosto.
Antes que eu pudesse articular um plano de fuga, o carrinho começou a entrar no túnel...
Passei muito medo, gritei, quase me borrei. Parecia a eternidade. Não acabava nunca aquela tortura. Até que finalmente o carrinho saiu na claridade e eu vi as pessoas todas me olhando e esperando eu sair do carro para elas entrarem logo.
Foi aterrorizante, pensei, ainda mais porque eu não vi absolutamente nada... Fiquei com olhos fechados o tempo todo, do início ao fim. No pensamento eu vi todos os bichos mais horríveis do mundo, mãos que quase me tocavam, sopros nos cabelos, imagens apavorantes que não me deixariam dormir por semanas.
Quando me perguntavam como tinha sido, eu dizia que era horrível, apavorante, apesar de não ter visto nada, e ninguém entendia, nem eu. Fiquei muito tempo com medo do trem fantasma.
Mas uns anos depois resolvi que entraria nele novamente  e veria de verdade tudo o que se passava lá dentro. 
Voltei ao parque, e ao trem, desta vez de olhos bem abertos...
 Levei alguns sustos lógico, mas nada tão horrível como minha mente havia desenhado e pintado. Sai rindo desta vez e falando: Muito legal esse trem fantasma!





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